Moradores de rua revelam que são enviados para Uberlândia por outras cidades


Moradores de rua confirmam que a assistência social de outras cidades enviam essas pessoas em situação de risco para Uberlândia. Há nove anos nas ruas da cidade, Eurípedes Donizete Geandro de Lima, 43, morou em Barretos (SP) por 32 anos, sempre como morador de rua, e trabalhava em lavouras da cidade paulista. Ele afirmou que veio para Uberlândia porque a Prefeitura de Barretos ofereceu passagem, com promessa de emprego fácil no interior de Minas Gerais.

“Me perguntaram se eu queria ir para Patrocínio (MG) trabalhar com café, para as arrozeiras em Ituiutaba (MG) ou para Uberlândia, que era fácil conseguir emprego. Acabaram me mandando para cá e eu nunca consegui trabalho. O dinheiro que eu ganho é lavando carros na rua.”

Uma moradora de rua que se identificou apenas como Maria, disse à reportagem do CORREIO de Uberlândia que morava nas ruas de Ribeirão Preto (SP) e a prefeitura da cidade ofereceu passagem para que ela viesse para o Triângulo Mineiro, e, com isso acabou ficando em Uberlândia. “Falaram que iam me mandar para uma cidadezinha de Minas, porque eu ia conseguir uma casa lá. Falaram que, como a cidade era menor, era mais fácil conseguir as coisas”, afirmou. Segundo ela, o destino era outro município, mas ela não se lembra de qual, e acabou descendo do ônibus em Uberlândia e por aqui ficou.

Para tentar identificar o perfil dos cerca de 730 moradores de rua de Uberlândia para mapear o histórico e os problemas deles vai ser feito em agosto deste ano pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social e Trabalho uma pesquisa. O objetivo é tirá-los da situação de risco. Para isso, a secretaria pretende inseri-los no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico) e incluí-los em projetos como os cursos profissionalizantes do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), que podem dar nova perspectiva de vida a essas pessoas.

Prefeitura vai mapear o perfil de moradores de rua em Uberlândia

Moradores de rua ficam na Tubal Vilela próximos do posto da PM (Foto: Cleiton Borges)

Essas ações, segundo o secretário municipal de Desenvolvimento Social e Trabalho, Murilo Ferreira, serão feitas após a secretaria perceber o aumento do número de mendigos na cidade. “A maior parte dos moradores de rua que têm vindo para Uberlândia é de Brasília (DF), Goiânia (GO), São Paulo (SP), Campinas (SP) e Ribeirão Preto (SP).”

De acordo com Ferreira, o Ministério Público repassou para a secretaria denúncias de que algumas cidades, principalmente capitais, que têm encaminhado moradores de rua para Uberlândia, um problema que volta a ocorrer quatro anos depois dos últimos registros de casos desse tipo e que os próprios mendigos confirmam. A promotoria confirma ter recebido três denúncias, mas não conseguiu fazer os flagrantes.

Além do mapeamento, a Secretaria de Desenvolvimento Social e Trabalho vai realizar uma campanha de conscientização em Uberlândia para que a população não dê esmolas aos mendigos, já que, segundo Ferreira, isso ajuda a sustentar a situação de risco em que eles vivem. Também será feito um trabalho para recriar os vínculos familiares desses moradores de rua para que eles voltem a conviver com a família e ter um lar, levando-os de volta às suas cidades de origem.

Mais de 50% dos mendigos são viciados

Mais da metade dos moradores de rua em Uberlândia (54%) são dependentes químicos, de acordo com dados da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social e Trabalho, o que, para o chefe da pasta, Murilo Ferreira, complica ainda mais a situação dessas pessoas. Ainda conforme o secretário, serão criadas mais vagas de internação em unidades terapêuticas para atender essa população.

“Vamos fazer parcerias com organizações não governamentais (ONGs), como a Icasu, que tem 40 vagas em uma fazendinha para reabilitação. Com a parceria, todas as vagas ficariam disponíveis para a prefeitura e poderíamos ajudar os moradores de rua”, disse Ferreira.

Secretaria projeta criação de Centro de Assistência Social

As três casas de passagem (Ceami I e II e Grupo Ramatisiano) existentes em Uberlândia hoje e uma casa de acolhimento institucional para homens têm, juntas, 92 vagas, que não são exclusivas para os moradores de rua.

Segundo o secretário municipal de Desenvolvimento Social e Trabalho, Murilo Ferreira, não serão abertas novas vagas nessas casas, mas a pasta projeta a criação de um Centro de Referência Especializado de Assistência Social para a População em Situação de Rua (Creas POP), que oferece atendimento psicossocial e atividades para o desenvolvimento de sociabilidade, fortalecimento de vínculos interpessoais e construção de novos projetos de vida.

“As casas de passagem não resolvem o problema dos moradores de rua. Eles vão (a estes locais), tomam um banho, comem alguma coisa e voltam para a rua. Queremos uma solução melhor e, por isso, vamos criar um Creas POP em Uberlândia para atender essa população”, afirmou o secretário.

moradoresderua.org.br/portal/artigo-patrocinado-trabalhe-em-casa/

Fonte: www.correiodeuberlandia.com.br


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